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NOITE VAZIA

 A noite está fria,uma noite fria e chuvosa de inverno. E numa rua escura do centro da cidade, próximo à Lapa, Tereza caminha apressadamente, pela calçada estreita, espremida entre carros estacionados e alguns sacos de lixo, nas portas de algumas lojas fechadas.
 A rua está práticamente vazia,mas uns poucos butecos estão como sempre, abertos com os mesmos pinguços.
 Uma garoa fria começa a cair e Tereza fecha um pouco mais o sobretudo e acelera mais o passo.
 Chega à um sobrado,onde pára,olha para os lados para ver se não está sendo seguida. Abre a bolsa e tira uma chave, com a qual abre a porta antiga. Entra rápidamente,passando de novo a chave na fechadura da porta,por dentro, e sobe a escada de madeira. O ranger dos antigos degraus dão a impressão de que a escada precisará de reparos em breve.  A escada parece frágil e sem segurança, assim como a vida de Tereza, jovem frágil e insegura.
 Ao chegar ao alto da escada,a jovem mulher abre uma outra porta antiga, que poderia ser aberta com um simples empurrão. Ela entra apressada e amedrontada numa sala ligeiramente desarrumada.
 Quadros recém pintados num canto da sala, e alguns livros espalhados sobre uma mesa redonda,em frente à porta. Uma pequena estante, com mais livros, alguns antigos e outros novos, ficava ao lado da mesa, que tinha cadeiras com assentos de palhinha, cobertos por almofadas de veludo verde escuro, já um pouco envelhecidas.
 Em frente à estante havia um sofá, também antigo,  contrastando com a juventude da moradora. E jogado sobre o sofá, um jornal dobrado, provávelmente daquele dia.
 Tereza vai até o quarto para ver se está mesmo só. E se sente ao mesmo tempo, amedrontada e aliviada.  Então dá um leve sorrizo ao ouvir um doce miado e sentir um pêlo macio à seus pés. É Tom, um angorá cinza!
 Tereza tira o sobretudo umidecido pelos pingos de chuva e pendura num cabide de pé, no canto do quarto. Começa a despir-se, tirando um vestido "tubinho" prêto, comprado em um brechó, meses atrás.
 Entra no banheiro,abre o chuveiro e deixa a água morna molhar seus cabelos finos e seu corpo delgado. Quer se sentir limpa, que a água levasse para o ralo tudo de ruím de sua vida.
 Pega o sabonete e passa por todo corpo,várias vezes, achando que precisa se sentir limpa, por fora e também por dentro. Querendo que o ralo sugasse sua tristeza, juntamente com a água de sabão.
 E deixando a água tomar conta de seu corpo, por mais alguns minutos, fecha a torneira, pega uma toalha de rosto, enrola os cabelos molhados, seca seu corpo suavemente com uma toalha branca e macia, pendurada ao lado do box.
 Veste um roupão atoalhado,azul-claro, e limpa o espelho embaçado pelo vapor do banho quente,com a beira da toalha.
 Contempla seu rosto abatido, no espelho recém limpo. As olheiras se destacam mais que o azul de seus olhos.
 Vai até a sala, pega um porta-retrato que está na estante. É um belo rapaz,trajando uniforme de piloto. Seus olhos se enchem de lágrimas.
 Vai até o sofá, se senta e pega o jornal , displicentemente jogado.
 Na primeira folha,a manchete de um acidente aéreo. Os cinco ocupantes mortos,inclusive o piloto.
 Tereza abraça o porta-retrato e o jornal, se deita alí mesmo no antigo sofá e adormece.
 Amanhã será um novo dia...

(Autora: MARY AM.  -  em 30/05/2012 )



- Postado por: Maryam às 10h52
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"VIDAS DA VIDA"

(autora: MARY. AM )

Apresentação:
Vidas da Vida é a estória de alguém a espera de um reencontro com a pessoa amada, após 30 anos. Talvez a espera de um milagre que mude toda sua vida. Se o milagre acontecerá ou não,vocês verão no decorrer dos capítulos. Só sei dizer que a vida reserva surpresas...

Obs: O "Vidas da Vida" , é baseado em fatos reais. Marie e Juan não são apenas personagens, são pessoas que existem. Apenas, seus verdadeiros nomes foram preservados e os locais da estória alterados. Muitas coisas ainda acontecerão na vida de Marie...
Vcs se surpreenderão...


CAPÍTULO 1:

 Entardecia em Punta Ballena. O entardecer de lá é o mais belo que já vi.
 Vejo o sol se despedir e deixar todos que alí estão, estarrecidos com a beleza daquele céu azul, que parece pegar fogo... Esta pintura viva transmite um sentimento de paz interior.
Sentada em uma "terraza" contemplo o mar, olho o horizonte a espera de alguém chegar...Será que virá? Tantos anos se passaram...
Não tenho pressa,se não for hoje ,será amanhã ou depois quem sabe... Tenho todo tempo do mundo pra aguardar...
 Enquanto aguardo, a cerimônia do pôr-do-sol em Casapueblo começa, o silêncio paira e ouve-se o assovio do vento. O sol surge forte e todos começam a ouvir uma narração do anfitião Vilaró; menos eu, que de olhos cerrados sonho com um passado distante, mas que está tão perto agora!

CAPÍTULO 2:

 Parece que foi ontem,eramos duas crianças a correr pela praia. Construíamos "Castelos de Areia", seria nossa morada no futuro. Ou corríamos em direção das pedras, tentávamos como pequenos alpinistas, escalar o penhasco  para tentar chegar àquela "casa engraçada",que parecia ser de açúcar, devido a tanta brancura!
Eramos crianças curiosas, tentando descobrir algo mágico, por lá! Ouviamos estórias de que um "feiticeiro" misterioso, por lá morava!
E algumas vezes chegamos a vê-lo, mas nos escondíamos, com medo que fossemos trancados naquele "castelo estranho", mas que nos encantava por demais!
 No final corríamos felizes pela praia, de mãos dadas, sem preocupação com o amanhã!
 Isso acontecia todos os anos...
 Em nossas férias de verão, nos víamos por um mês e a distância nos separava por mais onze... Mas, tinhamos a certeza de que no próximo verão estaríamos juntos novamente!

CAPÍTULO 3

Os anos se passavam e todas as férias de verão nos encontravamos , para nossa alegria.
Juan, meu querido amiguinho, morava lá mesmo em Punta. Mas,na realidade seus pais eram espanhóis, e ele veio de lá ainda pequeno.Eles residiam e tinham um pequeno restaurante próximo à praia.
Eu, Marie, morava no Rio Grande, na cidade de Porto Alegre e nossas férias eram em Punta, pois meus pais tinham uma pequena casa lá.
Por isso, sempre nos encontravamos e tinhamos uma amizade profunda, na realidade se tornou mais que amizade, era amor...
Certo dia, quando caminhavamos descalços, de mãos dadas, junto ao mar, ele me disse:"Quando crescer,vou casar com Vc!"
Naquele momento meu coraçãozinho de uma menina pré-adolescente, bateu mais forte, meus olhos tinham um brilho especial, assim como os dele!
Era tudo que eu gostaria de ouvir naquele momento...!
Eu tinha 10 anos e ele iria ainda fazer 12, e ainda tinham muitos anos nos aguardando...
Corríamos pela praia, fazíamos juras de amor infantís, subíamos pelas pedras que beiravam o mar, gargalhavamos muito...eramos felizes!
Naquela época, já não tinhamos mais medo do homem da casa engraçada!

CAPÍTULO 4

Mais um ano se passava, e eu retornava ansiosa pra encontrar o "meu amor"!
Cheguei na praia que estava deserta, o mar tranquilo , gaivotas voavam, senti algo estranho no ar... Aquela nossa praia parecia tão triste... não sabia o porquê, mas sentia que havia algo diferente no ar...
Corri até a casa de Juan para chamá-lo e casa estava fechada, como se não morasse ninguém por lá!
Então, como louca corri até o restaurante dos pais de Juan, e eles também não estavam mais lá !
Vendo minha tristeza, um senhor de olhar bondoso e cabelos brancos como a neve, me perguntou o que eu queria e por que estava assim tão triste. Contei a ele que acabava de vir da casa de Juan e que tinha esperança de encontrá-lo alí, pois seus pais eram os donos do restaurante. O amável senhor me convidou a sentar em uma das mesas , próxima à entrada de onde tinha uma bela vista para o pôr do sol e o mar e então me contou que ele havia comprado aquele restaurante, alguns meses atrás. Que conheceu muito pouco os antigos donos e que ouviu dizer que eles tinham retornado à sua terra natal,Espanha.
Fiquei muito triste, as lágrimas rolavam sobre meu rostinho ainda infantil."Eles não poderiam ter partido assim!", pensava...
O senhor pediu ao garçon um refresco de maracujá e me deu para beber, dizendo que o suco iria me acalmar. Agradeci e parti...
Já anoitecia,e tive de retornar para casa,meus pais deveriam estar preocupados com minha ausência. Cheguei em casa com os olhos vermelhos e minha mãe perguntou o que tinha havido pra sua menina ter chorado. Contei da mudança da família de Juan. Ela tentou me consolar, dizendo que eu faria novas amizades! Mas,eu não queia novas amizades, queria meu amado Juan, aquele que um dia iria me casar!

CAPÍTULO 5

No ano seguinte ainda fui a Punta nas férias de janeiro, pois não havia ainda perdido a esperança de encontrar Juan.
Procurei pelos lugares que costumávamos brincar, e nada... Na casa dele, agora morava uma outra família . No restaurante, re-encontrei aquele bondoso senhor, que fique sabendo se chamar Senhor Pepe.
 Sr. Pepe vivia lá com sua espôsa, uma senhorinha adorável, mas um pouco faladeira. Me contou que eles moravam anteriormente em Montevidéo, e como seu marido, apesar de estar aposentado, gostava muito de trabalhar, se mudaram para lá, pois era um lugar tranquilo e junto ao mar. E no verão se tornava um lugar movientado e alegre. Eles estavam felizes com a mudança, apesar de estarem longe do filho e dos netos. Ia sempre conversar com eles.
A partir daquele ano ,já não tinha mais vontade de voltar àquele lugar. Meus pais viam minha tristeza e então decidiram alugar nossa casa, não pretendiam vender, pois tinham planos de um dia ,já mais velhos, irem morar lá, quem sabe...!
Os anos iam se passando,eu como era um pouco tímida tinha poucas amizades.A minha melhor amiga era Elisa, que me trazia um sorriso, para eu enxugar minhas lagrimas e uma palavra amiga.
Elisa morava perto de minha casa e estudavamos na mesma sala no colégio.Na verdade, era minha única amiga , uma boa companhia  para todo o sempre,independente de quanto seja este sempre...  Eramos confidentes, íamos ao cinema, às vezes saímos para lanchar, comprar ou só ver as roupas que estavam na moda.

 Elisa tinha 2 irmãs, mas elas não costumavam sair conosco. E eu ,era filha única,tinha mais motivos de me sentir tão só! E quem prefere espontaneamente a solidão a uma boa companhia,como Elisa?
Eu tinha algumas "paqueras",como se dizia no meu tempo. Gostava da adulação, do paparico...E quem não gosta de ser adulado?
 Mas nenhum namoro importante, pois ainda me lembrava de Juan! Ele estava sempre presente em minha memória! Tinha também meus momentos de solidão e nestes momentos pedia: Oh, Deus! traga-me a promessa, para ressuscitar, um passado onde o  meu amor ficou perdido...
E me perguntava, onde ele estaria...

CAPÍTULO 6

Aos 17 anos entrei pra faculdade.Optei por fazer arquitetura,era algo que me interessava,tinha facilidade em desenhar e também me interessava por decoração.
 Por ser filha única, me sentia muito presa,vigiada...Elisa não era mais minha vizinha e também não estudávamos juntas, Raramente nos encontávamos...
 O pessoal da faculdade saía à noite, viajavam e meus pais nunca permitiam. Havia uma guerra para não ficar sozinha em casa. Me sentia revoltada e sonhava em ser livre!
 Algum tempo depois, na faculdade conheci um rapaz, Flávio, e na corrida para encontrar a alma gêmea, esqueci de Juan e entreguei  meu coração no primeiro olhar.
 Flávio estava no último ano do curso de Administração. Sua família morava em Gramado, e ele estava na casa de uma tia. Seu pai era dono de uma fábrica de móveis,lá em Gramado. Fábrica esta que ele iria administrar futuramente, pois seu pai tinha problemas cardíacos e precisava trabalhar menos. Flávio tinha uma irmã mais velha que ele. Ela era casada com um americano , morava nos Estados Unidos e tinha duas filhinhas americanas.
 Começamos a namorar, comecei a saborear o tempo da minha vida.Era um gosto muito mais ameno do que havia imaginado, mas tinha um sabor doce,terno e confiante. E poucos meses depois estavamos noivos.
 Ao terminar o curso dele, decidimos nos casar.Era um despertar de rumos,um sorrir pra vida...
 Ele tinha que tomar à frente da fábrica de seu pai. E eu via no casamento, um caminho para a liberdade...Não aguentava mais ser vigiada, não poder fazer o que queria... este era o único caminho...Desejava uma vida que fosse verdadeiramente infinita no tempo...
 Tranquei a faculdade, estava no terceiro ano, pra começar uma vida nova, voltar a estudar lá perto, talvez...Esta nova vida traria as cores do arco - íris, para que eu pudesse atravessar meu destino.
 Na primeira ida à Gramado já fiquei encantada. A apenas duas horas de carro de Porto Alegre, ela foi beneficiada pelo encanto da natureza, que alterva pinheiros com oceanos de hortências azuis, lembrando, talvez, algum recanto da floresta negra, na Alemanha.
 Começamos a procurar uma casa naquele lugar encantado. Meu futuro sogro, um senhor encantador, iria nos presentear com este sonho.
 Encontramos uma linda casinha, toda branca, no meio de um gramado com muitas hortências,aquelas flores perfumavam minha alma.. Era o que sonhavamos!!!
 Começamos a decorá-la, escolhemos detalhe por detalhe, cada objeto lá colocado tinha sido escolhido com muito carinho!
 Mas, apesar da alegria dos preparativos, de vez enquando, ressuscitava um passado onde o amor ficou perdido. Juan surgia na minha cabeça...Onde estaria...?

CAPITULO 7

 Finalmente o grande dia chegou...Acordei com gosto de sentir a vida.Um gosto de querer celebrar a vida...Era meu casamento!
 Uma cerimônia matutina,numa chácara,só para os mais íntimos.
Meus pais ,apesar de acharem que estavam perdendo a filha, estavam muito felizes... pois anos atrás o casamento era o mais importante na vida de uma jovem! Casar,ser mãe,cuidar da família...a profissão ficava em segundo plano!
 Para mim, o casamento era uma parceria e eu queria brindar esta parceria e a saudar euforicamente.
 Não pontualmente, cheguei à cerimônia às 11:30hs, sòmente meia hora de atraso, pois nenhuma noiva deve chegar na hora exata!

 Me achava simples e linda usando uma guirlanda de flores na cabeça,estava exatamente do jeitinho que queria, sem muita pompa e cercada de flores do campo! E ele de branco informalmente trajado, parecíamos dois anjos subindo ao céu!!!
 Estávamos saboreando a felicidade desse momento,curtindo o prazer daquele instante...
 Queríamos uma felicidade para todo o sempre, pelo menos eu desejava...
 E a luz do sol iluminava nosso jardim, o perfume das flores,
 perfumava minha alma e fazia eu sentir toda beleza daquele momento único!

CAPITULO 8

 Após nossa festa fomos para nossa linda casinha , pois na manhã seguinte iriamos pegar um vôo pra Buenos Aires, nossa sonhada "Lua de Mel"!
 Mais uma vez acordei com gosto de querer celebrar a vida... Estava curtindo o prazer de viver, saboreava a felicidade desse dia...Após o café, partimos rumo à felicidade...
Ao chegar ao sonhado "paraíso",um guia  nos esperava no aeroporto e conduziu ao hotel, onde nos hospedamos, que chamava-se Sol Meliá. Estávamos encantados...tudo era um sonho,estávamos nas nuvens...
 Após o almoço visitamos a Casa Rosada,Plaza General San Martín,Catedral Metropolitana e outros.Como a noite era livre fomos a uma Milonga ,para "bailar"!
Na manhã seguinte começamos nossa visita indo a Puerto Madero,o bairro mais moderno da cidade,admiramos a obra do arquiteto español Santiago Calatrava, chamada Puente de la Mujer.
Depois fomos conhecer La Bocca, pois algumas pessoas  nos desaconselharam ir até  lá, à noite. O dia foi cansativo, mas estupendo!

Depois de tantas alegrias, algo teve que acontecer...Ao chegar ao hotel tropecei em um degrau,torci o pé e caí. Sentia fortes dores no tornozelo. Um funcionário do hotel trouxe gelo,para colocar no local e me aconselhou a procurar um hospital. Mas, meu marido se antecipou e disse que não era nada e que no dia seguinte eu estaria bem. Mesmo vendo que sentia muita dor,Flávio insistiu que saíssemos para jantar e assistir à uma apresentação de tango. Não quis desapontá-lo e fomos.
 Na manhã seguinte,estava bem pior do tornozelo e acordei com a vontade do paparico,da ternura...mas só senti gosto da desatenção...
Como podia...,as pessoas se amam num dia e no outro entram em crise! Não entendia esta transmutação!
Após o desjejum, partimos rumo ao Hospital General de Agudos.
Naquele instante senti uma sensação de mudança no ar...Tinha provado o sabor doce da vida e passava a saborear a vida verdadeira.
Mas, sentia que meu anjo da guarda estaria alí pra me proteger... Sentia que algo iria acontecer...Mas, o que poderia acontecer ? Estava apenas indo a uma consulta médica...

 A vida é um mistério que não precisamos entender... e sim apenas viver ! O hoje é uma dádiva...!



- Postado por: Maryam às 19h52
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CAPITULO 9

Chegamos ao hospital e minutos depois estava sendo atendida pelo ortopedista Dr.Gimenéz. Ele era um senhor de meia idade muito gentil. Me disse que parecia não haver fratura , mas uma forte torção. E me encaminhou ao raio-X. Naquele instante, ele foi chamado para uma emêrgência, e me informou que o Dr.Sanchez, seu auxiliar , terminaria minha consulta, mas que não me preocupasse pois ele era um "residente"  muito competente. Após ao raio-X , voltei ao consultório levada por um enfermeiro em uma cadeira de rodas, que me pediu que aguardasse o doutor que viria logo.
 Estava sentada na cadeira, de costas para a entrada do consultório. Escutei o ruído da porta sendo aberta e senti algo diferente no ar... uma sensação de bem-estar, como se um "Anjo" tivesse acabado de adentrar! Vi um jovem médico de branco passando ao meu lado com minha ficha médica nas mãos. Não vi seu rosto até que ele chegasse à mesa.
Ao ler minha ficha e me fitar, ficamos meio que hipnotizados, olhando um para o outro. Então ele sorriu e me perguntou:
-És tú? Marie? La niña Marie?
Tive a sensação de que um homem fantasiado de anjo, havia
descido das nuvens e encantado meus sonhos!
Sí, Juan ! Soy Yo!!!
Era ele, na minha frente, meu Juan que tanto procurei e sonhei.
Aquele homem, naquele instante, me trazia a felicidade para que eu me libertasse de minhas dores! Acordou um sentimento que o tempo tinha esmagado... Sorrimos muito e nossos olhos ficaram cheios d`água... Ele me disse que tinha ido morar em Buenos Aires  para fazer a faculdade, pois tinha um irmão mais velho que residia e tinha um comércio (una tienda) lá, e ele estava concluindo o curso de medicina.
Alguns minutos depois, fomos interrompidos por uma outra residente, que  disse que meu marido estava na recepção, e queria saber notícias.
Naquele momento , acordamos do sonho e voltamos a realidade.
Ele me apresentou àquela jovem, que além de colega de trabalho, era sua noiva, e contou que fui seu grande amor da infância. Contive minhas lágrimas e senti o gosto amargo da tristeza.
Apesar de não haver fratura, tinha de ficar 15 dias com o pé imobilizado.  Ele me receitou um anti-inflamatório e recomendou que não pisasse naquele primeiro dia, repousasse.
Nos despedimos com um sorriso sem graça, com gosto de "quero mais"... Nos beijamos no rosto e disse ... "Até um dia!!!"
Ele respondeu : "Um dia nos re-encontraremos!"
E eu sorrindo disse: "Quem sabe, daqui a dez, vinte ou trinta anos..."
Sorrimos...
 E saí do consultório,  levada por um enfermeiro. Meu marido me aguardava.
Nos dias que se seguiram eu estava diferente, num mundo de sonhos no qual eu não podia sonhar... Ficamos ainda mais alguns dias um Buenos Aires, passeando sem poder andar muito, e finalmente retornamos ao Brasil , pra viver a nossa nova realidade.

CAPITULO 10

Chegamos à Gramado, na nossa querida casinha, eu ainda  com o pé imobilizado. Mas, logo fiquei bem! Só queria  as cores do arco - íris para que eu pudesse atravessar meu destino.
Apesar do meu marido ser gentil , não era o que eu esperava para ser o "meu homem"! Me sentia só...!
Meu marido trabalhava e eu não! Alguns dias, ainda jogava futebol-de-salão, à noite! E eu mais só, ainda...
Algumas noites de solidão, me sentava no jardim, contemplava o céu e pedia uma estrela, para  sentir sua beleza, iluminar meu jardim, meu coração e minha alma. E no final, a solidão me fazia ressuscitar, um passado onde o amor ficou perdido.
Fiz amizade com Sandra,irmã de um amigo de Flávio. Era a únia amiga que tinha. Um dia, tivemos a idéia de abrirmos uma loja de decoração de interiores e móveis rústicos, também!
 Tanto Sandra quanto eu, gostávamos de pintura, fazíamos alguns artezanatos e  meu sogro tinha uma fábrica de móveis, que também poderia fornecer os móveis, que gostássemos, para podermos ser revendedoras. E deu certo, achamos um imóvel vazio e montamos nossa linda loja, nosso pequeno sonho!!!

Os meses foram se passando, nosso pequeno negócio indo de "vento-em-popa"! Um dia , uma surpresa... eu estava grávida!!!  Não esperávamos!  Mas ficamos felizes! Para mim seria um serzinho para eu acariciar, um carinho para  acordar em meus braços. ...
E pouco tempo depois, tivemos uma nova surpresa... eram gêmeos!!!

CAPITULO 11

A gravidez me deixou muito feliz. Comprava as roupinhas dos bebês, e muito me alegrava escolher cada peça com muito amor.
Os bebês me faziam esquecer a espera de viver um grande amor.O desejo de amar e de ser amada com um grande com grande euforia.
Mas, ao mesmo tempo sentia medo da ser mãe, medo de não estar preparada para educar duas crianças ao mesmo tempo!
Toda essa alegria e medo se misturaram ,quanto comecei a sentir um mal estar, enjôos,falta de apetite e achava estranho pois já estava no quinto mês de gestação!
Fui ao médico,e tive que ficar internada para exames,pois havia suspeita de que eu havia contraído uma virose.
Meus pais vieram para  me fazer companhia no hospital. Eles se revezavam, meu pai ficava comigo durante o dia e minha mãe ficava durante a noite. Meu marido passava no hospital apenas quando saía da fábrica, não ficava muito tempo ,pois não gostava de hospital... E pergunto, quem é que gosta de hospital?
Eu me sentia emocionalmente frágil,pois não sabia até que ponto esse vírus poderia afetar meus bebês. Naquele tempo,não havia ulta-sonografia e outros exames que existem hoje.
Depois de 7 dias internada o médico clínico me deu alta, disse que por ele eu já poderia ir para casa para terminar de me restabelecer,mas dependia também da autorização do obstetra que estava me acompanhando,que era competentíssimo, inclusive era   diretor do hospital.Porém ele veio conversar comigo e disse que eu ainda deveria ficar hospitalizada por mais alguns dias.
E naquele dia tive o maior desgosto da minha vida, Flávio ao vir me visitar como fazia todas as tardes e soube que eu ainda continuaria no hospital,começou a gritar comigo,querendo saber porque eu não iria pra casa, porque não pedi explicações ao obstetra...E em momento algum, ele pensou que eu era a paciente, que eu estava grávida de gêmeos, doente e fragilizada!
Ele se "expressava" tão alto que um médico, que estava no quarto ao lado, veio ver o que estava acontecendo. Me senti muito envergonhada com a situação. Buscava  justificativas para aquela atitude dele. Será que nosso amor era uma mentira, tinha perdido a autenticidade, estavamos ludibriando a nós mesmos...?
Na manhã seguinte o obstetra veio até meu quarto e me pediu que transmitisse um recado ao meu marido, que dissesse que ele não era irresponsável de me mandar pra casa e eu ter que voltar, com sintômas de aborto, eu dorria risco de perder os bebês!
Um sentimento de solidão e tristeza tomou conta de mim!
Queria ter a certeza de ser amada pelo pai dos meus filhos. E onde ele estava, naquele momento que sentia dilacerar meu coração...


CAPITULO 12

Poucos dias depois já estava em casa,tendo que ficar de cama ,sem poder me levantar e sair de casa. Mesmo os médicos me tranquilizando que os bebês não tinham sido afetados pelo vírus, sempre sentia algum mêdo. Queria um chamego, um afago e via a pessoa querida se afastar..., então sofria ainda mais.
Três meses e meio se passaram... e o momento da chegada se aproximava. Até que o dia da cirurgía chegou e meus bebês nasceram , pequeninos, mas sadios! Eram um menino e uma menina, e escolhi os nomes Eduardo e Maria Eduarda. Foi um sentimento de amor, maravilhosamente vivido com a chegada das novas vidas. Duas estrelinhas que vieram pra iluminar minha vida, me dar força para viver!
Dias depois, estavamos todos já em casa, muito trabalho, mas muita alegria também!
Tive bastante ajuda: minha mãe, minha sogra e também uma babá.
Com tanta ajuda,vi que não era tão difícil cuidar dos gêmeos...
E cada dia que se passava eles ficavam mais espertos e eu muito alegre. Flávio ficou alegre também, mas não tanto, quanto eu e também os avós!
O meses foram se passando,meus pais já tinham retornado pra Porto Alegre e eu estava ansiosa para voltar a ter minha vida  normal novamente. Minha lojinha estava a minha espera.
Com a ajuda de uma secretária do lar,de uma babá e também de minha sogra, pude voltar ao trabalho que tanto gostava.
Combinei com  minha amiga, sócia e agora comadre Sandra ( convidei Sandra para ser madrinha de Maria Eduarda) para que eu fosse somente após o almoço. Ela abriria a loja e eu fecharia. Assim fui levando minha vida e meus filhos iam crescendo...

CAPITULO 13

O tempo foi passando,meus filhos cada dia mais espertos e mais lindos e meu marido cada dia mais ausente. Nossa vida se tornou uma rotina. Aos Domingos iamos passar o dia na casa dos meus sogros ou meus pais vinham nos visitar e meus sogros vinham para nossa casa também.
 Aos sábados à noite visitavamos algum casal amigo ou saíamos pra jantar com Sandra e o noivo ou com o irmão dela, Frederico , com a noiva Bárbara, uma pessoa um tanto pedante,que não simpatizava muito. Já, Frederico, Fred, era muito simpático , Flávio e ele eram amigos de infância.
Mas,sentia que faltava algo na minha vida. Queria que minha vida tivesse um sabor mais doce...Flávio não me completava como homem e nem como o pai amoroso que sonhava pra meus filhos. Não digo que fosse mau pai, mas não era um pai perfeito. Os dois avôs eram muito mais "pais" para as crianças do que ele!
Muitas noites Flávio ao chegar, me pegava chorando na cama ao deitar...Ele dizia que eu era muito româtica, que achava ser uma princesa, presa num castelo, a espera de um príncipe encantado, montado em um cavalo branco pra me salvar! E ele não estava errado...eu esperava pelo meu "príncipe"!!!  Pensava em Juan...estaria ele casado também  ou  será que viria para me libertar de minhas dores...
Mas, enquanto isso, confiava no tempo, num despertar de rumos, numa descoberta do gosto pela vida.

CAPITULO 14

Eu continuava tendo o tempo como um aliado.Meu marido tinha sempre um jogo de futebol, um chop com os amigos, e eu o aguardava no silêndio da minha tristeza. Mas, quando estava só, tinha meus filhos para dormirem em meus braços e trazerem uma esperança para eu sonhar com dia de amanhã.
Três anos se passaram e meu sogro veio a falescer, de um infarto fulminante. Nossa vida teve uma "ligeira" reviravolta! Com a partilha dos bens minha sogra ficou com uns imóveis alugados e Flávio e a irmã ficaram com a fábrica de móveis.
A irmã de Flávio por morar fora do Brasil, optou por vender a parte dela na fábrica. Mas,Flávio não possuia quantia suficiente pra comprar os 50% das ações da irmã, poderia comprar apenas 10%. Então os 40% passariam para uma pessoa estranha, que quizesse investir na sociedade. Isso passou a nos preocupar!
Confiava em Deus ,e pedi muito a ele que nos enviasse, não um sócio, mas um anjo, alguém com sentimento e que também se dedicasse a fábrica com prazer...!
E Deus me ouviu!!! Fred, o irmão de Sandra, tinha acabado de ser demitido da empresa multi-nacional que trabalhava,há 10 anos e tinha um bom fundo de garantia a receber,além de uma quantia aplicada e assim pode comprar os 40% da minha cunhada. E a fábrica, praticamente continuava em família, o que muito nos alegrou.
Mas uma notícia me entristeceu... minha sogra decidiu ir morar com a filha nos Estados Unidos. Uma amiga estava partindo e o que me desapontava também era que Bárbara, a "eterna noiva" de Fred, era uma pessoa muito fútil, tinha uma clínica de Beleza e Estética e confeço que não combinavamos muito! Creio que por isso eles eram eternamente "noivos", nunca casavam!
Gostaria de ter mais uma amiga pra confiar, assim como Sandra.
E à noite , quando estava só, a sombra da solidão chegava... Mais uma vez ressuscitava um passado onde o amor ficou perdido. Sentia falta do calor corpo do meu amado,que na realidade nunca tive, para quando acordar me ver em seus braços e poder sorrir. Pelo menos podia sonhar... Este direito eu ainda tinha...
E mais uma vez, olhava para o céu, pedindo uma estrela para eu iluminar a minha vida...



- Postado por: Maryam às 19h48
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CAPITULO 15

Eu sonhando,os anos passando,meus filhos crescendo e meu casamento acabando. Até que um dia acabou realmente, mas não da forma que eu esperava. Flávio sofreu um acidente de carro e morreu imediatamente!
Não sabia o que sentia, ia rumo ao desconhecido, ao tenebroso e sombrio. Num momento reagia, ia à luta pela labuta, pela vida. E no outro caia num mundo obscuro e secular, num labirinto sem fim...
Sandra e Fred foram meus anjos da guarda, juntamente com meus pais. Nunca pensei sentir tanta falta , como sentia do Flávio, era o pai dos meus filhos, mais de 10 anos de convivência! Vivia com ele um sonho, que poderei não ser maravilhoso, mas o destino veio e me acordou violentamente...
Precisei ter garra para desvendar meu próprio ser. Meu filhos precisavam de mim, eles tinham 9 anos e eu não poderia deixar que a tristeza murchasse as flores do jardim da vida deles.
Tive que deixar pra trás a mulher fágil e delicada,para dar a vez a mulher de personalidade forte, capacidade marcante, com garra para ir à luta pela labuta. Agora, tinha que substituir Flávio na administração da fábrica, junto com Fred. Precisava cuidar do patrimônio de meus filhos.
Deixei Sandra cuidando de nossa loja e muitas vezes de meus filhos que gostavam se ficar lá com ela depois da escola. Eles estavam sendo pra ela os filhos que ela não pode ter!
Eu me sentia perdida naquela fábrica de móveis, Fred era paciente e tentava me ensinar tudo com calma, mas muitas vezes, sentia que acabava atrapalhando. Os contatos eram muitos, nossa fabrica não só vendia pra todo Brasil, como também estava exportando.
Os meses foram se passando, eu me adaptando a nova vida, mas tinha a tristeza estampada em meu semblante .Aquele não era o trabalho que gostava, me sentia enjaulada naquele escritório.

CAPITULO 16

 Minha insatisfação aumentava, a tristeza era tanta que não tinha mais tempo pra lembrar de Juan.
Juan era uma fantasia e eu vivia uma realidade.Sonho, a gente só se dá conta dele depois que acorda, depois que ele acabou...
Meu aniversário chegou, Sandra e as crianças me surpreenderam vindo me buscar pra almoçar, e ao chegar no restaurante Fred já estava lá com um lindo bolo e um belo buquet de flores do campo! Sorri como a meses não sorria...
Sandra havia comprado um vestido maravilho pra me presentear e um par de sapatos e uma bolsa de griffe pras crianças me darem.
Estava cercada de flores. Belezas discretas, amigos que alegravam o meu caminho.
Disse para Sandra que não teria nem onde usar os presentes que havia ganho, mas imediatamente Fred retrucou que eu estava enganada, pois ele já havia feito reservas no reataurante mais chick da cidade para irmos jantar. Tentei recusar, mas até mesmo as crianças pediram que eu fosse, era meu aniversário, tinha que ter um jantar especial. Perguntei por Bárbara, a eterna noiva, e ele respondeu que haviam terminado há mais de 2 meses.
Às 8hs Fred chegou pra me buscar e me trouxe um presente especial, uma delicada gargantilha de ouro, com um pendente em forma de coração.Fiquei feliz , mas um pouco sem graça.

Saimos rumo a uma noite estrelada...Estrelas que vieram pra iluminar novamente a minha vida. Um delicioso jantar, num belo lugar, com um ótimo acompanhante, um clima doce como o mel de uma flor... que desabrochou numa estrela e que veio até nós num lindo sonho!
 Assim aos poucos Fred foi se aproximando de mim. No início, recusava os encontos com ele, mas Sandra e as crianças me insentivavam a voltar a viver. Muitas vezes pensava em Juan, mas ele era um sonho, não era alguém real na minha vida e Fred uma realidade!
Um dia não resisti aos encantos de Fred e me entreguei de corpo e alma. Uma nova vida iria começar...

CAPITULO 17

Tentei fugir,tentei escapar,mas percebi que não havia controle, não dominava meu pulsar...Um ano após a morte de Fávio me casei com Fred, numa cerimônia simples só para a família.
Fui criticada por muitos,especialmente por alguns parentes de Flávio,como os padrinhos do Dudu, Cida, prima de Flávio, e o marido. Foi na casa dos pais de Cida que Flávio ficou hospedado enquanto estudava em Porto Alegre.Cida era uma pessoa muito agradável , mas não nos viamos com muita frequência,só mesmo em datas especiais...
Eu ignorava as pessoas e o mundo, não queria o mundo, queria meu mundo...vivi ao lado de Flávio uma vida, construimos uma família, mas o mundo não gira em torno do passado, as lembranças estão no passado e precisava viver o presente...
E não eram estas pessoas que estavam ao meu lado diariamente, me apoiando e sim, Sandra e Fred, que além terem sido meus anjos-da-guarda, eram os padrinhos da Duda.
E com meu casamento uma janela se abriu e não via mais um horizonte vasto e difuso, e sim uma manhã docilmente enfeitada pela luz do sol!
Começava uma nova vida, tinha alguém com quem dividir carinhos e responsabilidades. Não precisava ir tantos dias à fábrica, podia dar mais atenção à loja, que tanto gostava, e via alegria nos olhos dos meus filhos, só isso valia o prazer de viver...

CAPITULO 18

Optamos por continuar vivendo na mesma casa,as crianças gostavam muito da casa, era aconchegante espaçosa.
 Cada dia de nossas vidas era uma novidade. Mas,algumas vezes ficava a suspirar e então fazia da saudade um sorriso...
O aniversário de 11 anos de meus filhos estava chegando e como era mês de Julho, Fred nos surpreendeu com 4 passagens pra Disney. As crianças vibraram com a novidade,era tudo que elas mais queriam. E fomos nós,rumo à Orlando, para dias inesquecíveis...
Após uma semana voltamos ao trabalho e as crianças às aulas,a vida continuava...
O tempo foi passando e sem que eu percebece uma tristeza foi se instalando em meu peito.Fred começava a beber algumas doses de Wiskey à mais e quando eu dizia que ele estava passando da medida, ele repondia que só estava bebendo uma dose à mais pra aquecer, por causa do frio...
Como eu reclamava, ele passou a chegar em casa mais tarde, pra beber fora.
Eu esperava , na vidraça eu via refletidos o amor por meus filhos, lembranças de Flávio e ainda um eco de saudade de Juan tomando lugar do silêncio da noite escura.
E assim o tempo foi passando, de dia tinha um marido exemplar,um  pai perfeito pra meus filhos, mas à noite era uma incógnita...
Duda e Dudu cresciam e se transformavam em Eduarda e Eduardo...
Sempre estudando, mas sempre se interessando em trabalhar também...
Eduarda, como Sandra e eu , adorava a loja e logo tivemos uma nova sócia. Eduardo,desde os 14 anos ia para o escritório da fábrica e aos poucos foi me substituindo lá, dirigindo os negócios, junto a Fred.
E o vazio da noite tomava conta do meu peito...Lágrimas me cortavam a face, inundando de tristeza o meu peito,uma solidão vivida,ficando um coração partido. E uma pergunta voltava a rondar...onde estaria Juan...?


CAPITULO 19

Parecia que tinha sido "ontem", mas 12 anos haviam se passado ao lado de Fred. Meus filhos deixaram de ser crianças e tinham suas próprias vidas. E eu ali estava,em todos esses anos nada havia mudado...Queria chorar e não chorava...Queria falar de minha dor e não falei...
Não entendia o porquê de Fred se entregar a bebida. Muitas vezes pensei em separação, mas ele dizia me amar e que não aguentaria viver longe de mim! Vivia um dilema...
Certa vez , conversando com Sandra, consegui descobrir o motivo,o que fazia Fred procurar a fuga num copo de bebida. Sua ex- noiva Bárbara, havia rompido o noivado no dia do aniversário dele, quando ele pretendia marcar a data do casamento. E logo depois ele descobriu que ela havia ido viver com um homem bem mais velho, com idade para ser pai dela!
Sandra me disse que depois deste acontecimento ele emudesceu em casa, não conversava com mais ninguém, falava só o necessário e proibiu a família de tocar no assunto. Eu na época não percebi a mudança em Fred, pois estava tão chocada com a morte de Flávio , que não percebia nada que se passava a meu redor. E Sandra disse que Fred só passou a sorrir novamente naquele meu aniversário,em que ela pediu ajuda a ele, para levar o bolo e presentes para o restaurante no almoço de meu aniversário. Ela também me confidenciou de sua surpresa ao vê-lo me convidar para jantar com ele aquela noite. Após aquele dia, ele também voltava a viver! E ela apenas cumpria a promessa que havia feito ao irmão de nunca falar a respeito do noivado rompido...
Creio que depois disso passei a sentir uma certa pena de Fred, sentimento esse que não gostava de sentir!
Mas,Fred passou a chegar cada dia mais tarde em casa e isso me feria muito. Não sabia o que se passava. A tristeza tomava conta de minha alma. Enquanto esperava, contemplando as estrêlas, a luz do luar me enfeitiçava, e ao mesmo tempo lançava sobre mim um presságio...

CAPITULO 20

Recebemos dois convites para um evento sobre movéis e uma exposição de artes que iriam acontecer na semana seguinte em Uruguaiana. Fiquei em dúvida se aceitaria ou não o convite, pois era dezembro, mês de compras, muito movimento na loja, mas Fred me incentivou a ir com Sandra. Seriam apenas 2 dias fora, num final de semana, e Eduarda poderia cuidar de tudo na loja.
Sandra ficou animada, não havia ninguém que a prendesse na cidade, pois estava solteira no momento. Sandra havia se casado duas vezes durante o tempo que nos conhecíamos, teve também alguns namorados, mas o fato de saber que não poderia ter filhos, fazia com que não se prendesse a ninguém. E meus filhos eram como se fossem filhos dela também!
Na semana seguinte estavamos nós duas em Uruguaiana. Vimos coisas interessantes nos atualizamos, era nossa área de trabalho. No segundo dia, iriamos embora no final da tarde, após o almoço. Fomos almoçar no próprio restaurante do hotel, que estava bastante cheio ,pois havia um congreço na PUC de Uruguaina e muitos participantes estavam hospedados naquele mesmo hotel. Ao terminarmos nosso almoço, um garçon se aproximou e me perguntou se eu era a Sra.Marie, e então me entregou um cartão. Perguntei de quem era, e ele disse que um cavalheiro que estava com um grande grupo no final do salão pediu que me entregasse , se fosse mesmo a Sra. Marie.
 Olhei o nome no cartão e congelei. O nome escrito em letras douradas era : Dr. Juan Sanchez. Olhei para o fundo do salão em em meio a tantas pessoas encontrei um sorriso, um olhar, o brilho de uma estrela se abrindo entre nuvens difusas. Meu coração se inflama e se incendeia como fogueira ardente de paixão. Também sorri e dei um leve aceno. Novamente olhei o cartão que no verso se lia: "Minha Menina, me telefone. Por favor, não deixe de ligar.Juan "
Sandra me perguntou o que estava acontecendo e respondi que era um amigo de infância.
Apartir daquele momento não consegui mais controlar meus pensamentos...O que meu coração via e sentia, estava além da presença, das aparências e muito além de um simples olhar... além do olhar...num passado distante...



- Postado por: Maryam às 19h45
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CAPITULO 21

Enquanto retornava para casa Juan não saía de minha cabeça...Meu coração se inflamava e se incendiava como fogueira ardente de paixão,que queimava sem controle de meus sentimentos. Sandra notou meu desatino e contei a ela como havia conhecido Juan, meu amor de criança.
Ao chegar em casa,Fred não estava. Não sabia o que iria fazer com aquele cartão, se rasgaria, guardaria ou ligaria...Em meu peito havia guardado,bem fechado o meu a por, por tantos anos...
Eduardo estava em casa quando cheguei, e notei seu aborrecimento quando perguntei por Fred. Entre meus filhos e eu não havia segredos, e ele como sabia de meu sofrimento com o alcoolismo de meu marido,me contou que Fred não havia dormido em casa aquela noite. E quando perguntei se ele achava que havia acontecido algo grave com Fred, meu filho conta que havia visto Fred e Bárbara jantando juntos, em um restaurante caro da cidade, na noite anterior.
Primeiramente o descontrole tomou conta de mim, mas depois pensei melhor e vi que nada acontece por acaso. Re-encontrava Juan, no mesmo dia que meu casamento havia acabado! Compreendi que apesar de tudo que Bárbara fizera a Fred no passado,ele ainda amava a ex-noiva. Então que fosse feliz ao lado dela! E eu iria tentar achar minha felicidade, ao lado de Juan, naturalmente!
No mesmo dia,quando Fred retornou, pedi que deixasse minha casa o mais breve possível. Ele se calou...Não chorei...
Minhas lágrimas secaram...Era o fim de mais uma vida a dois.

CAPITULO 22

Na manhã seguinte,ao chegar à loja, contei tudo a Sandra, que me apoiou em tudo. Minha amiga me incentivou a ligar para Juan, porque se seu irmão estava novamente preso à teia de uma "aranha" que havia depositado nele todo seu veneno, porque deveria eu entrar para uma clausura...
Naquela mesma tarde,recebemos uma ligação de Fred, ele pedia a Sandra para me comunicar que estava deixando a casa. Ela perguntou onde o encontraria, e ele prontamente disse que em breve ela ficaria sabendo...Na mesma noite Fred avisou à irmã que estava na casa de Bárbara, ela havia ficado viúva, e mediante o ocorrido, eles decidiram viver juntos.
Eu, ao mesmo tempo que estava ansiosa para ligar para Juan, temia por algo que não sabia... tantos anos se passaram...
Decidi telefonar. O telefone no cartão era de um hospital em Buenos Aires.

Tomei coragem...A telefonista me passou para sala do Dr. Juan Sanchez e uma secretária atendeu. Me disse que Dr.Sanches não iria ao hospital aquele dia, então perguntei quais os dias ele trabalhava naquele local.A jovem ela respondeu que ele não tinha nem dia, nem hora certos, ele era o diretor-proprietário do hospital.
Me indagou se eu queria marcar uma consulta com ele, então respondi que não, que era uma velha amiga! Muito gentil,a secretária me passou o telefone do local onde o encontraria naquele dia, ele estava no "Partido". Não entendi muito bem , mas imediatamente liguei , me identifiquei para saber se o Dr.Sanchez poderia me atender. E logo após ouço uma voz familiar ,do outro lado da linha, rindo e perguntando: "És tú ? Mi Niña Marie?"
Ri e chorei ao mesmo tempo,contei o quanto sofri quando deixamos de nos ver,fiz um resumo de minha vida em minutos. Disse que havia pensado nele por todos aqueles anos.Ele me disse que eu era inesquecível. Parecia sincero, sentia alegria em sua voz.
Me falou também de sua vida, de seus três filhos rapazes, um pouco mais novos que meu casal de gêmeos. Perguntei de sua esposa e me respondeu brevemente que seu casamento estava falido... Começou a falar de sua vida política, ele era presidente regional de um partido, que apoiava a candidatura de Kirchner, como presidente. Disse então que queria me encontrar, mas naquele mês de dezembro seria impossível se ausentar por alguns dias devido aos compromissos. Combinou então que no mês seguinte, em Janeiro, no dia 5, me encontraria em Punta Ballena, no mesmo lugar onde costumavamos brincar! Respondi que ficaria na Casa de Vilaró,pois a casa de meus pais estava passando por uma pequena reforma.Nos encontraríamos no nosso lugar mágico e misterioso! Trocamos nossos números de celulares. Ele pediu que eu ligasse sempre que pudesse e acrescentou que mesmo que não conseguissemos nos falar por algum motivo, que o esperasse no local combinado, pois ele não deixaria de ir...
Estava num mundo de sonhos, de pura paixão, amor e emoção! Descobria que ele ainda me levava em seu coração...Sentia que havia valido a pena ter guardado em meu peito, fechado este meu amor...Em breve estaríamos juntos, coração com coração, boca sobre boca, intimamente ligados, num mundo de fascinação...!

CAPITULO 23

Os acontecimentos daquela semana mexeram muito comigo.Por mais que meu casamento com Fred me deixasse triste,tinha um carinho e amizade enorme por ele. E ao mesmo tempo ansiava por dias de felicidade junto ao meu amado. Todos tinham direito de encontrar o verdadeiro amor e eusonhava com este dia.
Sonhava, realmente...Queria um amor verdadeiro, sincero , exclusivo...o meu amor de infância era assim, puro, simples, verdadeiro...
Creio que o que mais admirava em Juan, que não encontrei em meus maridos, era a simplicidade.Ele vinha de uma família simples, humilde, tudo que tinham conseguido havia sido através de muito trabalho. Eu estava cansada de tudo isso, pessoas fúteis, snobes ...queria curtir um pouco da natureza e esquecer de todas as tristezas que havia passado na minha triste vida amorosa.
Falei com Eduarda e Sandra que gostaria se ficar longe de Gramado por algum tempo, e elas como sempre apoiaram minha decisão. Cuidariam de nossa loja com carinho.
A fábrica, Eduardo já havia tomado a frente de tudo, juntamente com Fred. Que apesar da separação continuava, sendo o "segundo pai" de Dudu e Duda também.
Alguns dias depois ,Fred me procurou para justificar sua atitude e pedir que eu não guardasse mágoas dele.Mas do fundo do coração ,só desejava a felicidade dele.
Avisei a todos que após as festas de fim de ano , partiria pra Punta Ballena. Juntei o útil ao agradável, pois meus pais haviam me pedido que fosse inspecionar a reforma da casa de Punta.Até lá, a obra que estava sendo realizada estaria provavelmente bem adiantada. E eu chegaria para dar os toques finais na decoração, mudando cortinas e forrações de estofados e colocando meu toque pessoal por lá.
Meus pais costumavam passar temporadas lá, mas eu já tinha muitos anos que estivera naquele lugar de tantas recordações.
Porém,desta vez seria diferente! Iria em busca da liberdade,do Amor ,da Simplicidade,da Paz...!
Sonhava...Sonhos de pura paixão! Amor e emoção! Reflexos de um mundo de fascinação,que fazia brilhar meus olhos!
 O passado estava presente em todos os momentos...E em meus pensamentos, imagens puras de sonho, ou talvez de ilusão...!
Sonhava, era só isso que importava...!

CAPITULO 24

Os dias que se seguiram foram um misto de sonho e trabalho. Faltavam poucos dias para o Natal, meus pais viriam de Porto Alegre, muito movimento na loja, compra de presentes...
Juan e eu nos falamos muito pouco durante este período. Ele sempre fora, nem sempre conseguiamos nos comunicar pelo celular. Algumas vezes me ligava de um telefone fixo durante um intervalo de uma reunião.Geralmente à noite,antes de deitar acessava o site do "partido" para ver suas fotos nos últimos eventos.
Muitas vezes pensava se deveria ir mesmo ao encontro de Juan,mas se não fosse,aquele sentimente continuaria forte em meu peito. De qualquer forma,teria que ir a Punta Ballena,meus pais haviam  pedido minha ajuda.
Chegou o Natal e minha família estava reunida,inclusive Sandra. Fred me enviou uma cesta com Poinsétias Vermelhas,a planta do Natal, que eu tando apreciava,e junto um cartão.
Recebi um telegrama de Juan, desejando um Feliz Natal e dizendo estar ansioso por nosso re-encontro e que iria estar fora até 1º de Janeiro. Mas, que iria me encontrar no dia 5 como havia combinado.Porém, confeço que sonhava com Juan batendo na porta me fazendo uma surpresa...E em meu peito guardo fechado este meu amor...
O dias seguintes voaram! Um novo ano começava e tinha certeza que junto viria uma nova vida... Dia 4, chegava a Punta Ballena.
Me hospedei e em seguida fui ver como estava a obra,na casa de meus pais, minha casa também pois pretendia ficar por lá algum tempo! Estava praticamente concluida a obra. Sr. Ramón,que cuidava da casa para meus pais,cuidou para que tudo estivesse sido feito com muito esmêro.Os funcionários estavam começando a limpeza.Perguntei onde encontraria algum profissional para lustrar os móveis e mudar a forração dos sofás e Sr. Ramon me disse que já havia providenciado ,que apenas me aguardava pra que escolhece os tecidos e o modelo das cortinas.Como ela tinha o mostruário alí,facilitou minha escolha. E tudo ficaria pronto em uns três ou quatro dias. Notei então, que o jardim precisava de ser cuidado, novas plantas,um paisagismo que tornace o local mais aconchegante.Ele então me informou que havia um ótimo paísagista, próximo de lá, ele possuia uma loja de flores e uma pequena chácara,e com várias espécimes de plantas.Como Juan chegaria na manhã seguinte,não quiz combinar nada, disse que depois veríamos isto.
Na manhã seguinte,dia 5, a data combinada,não queria me afastar do hotel. As horas passavam e o entardecer chegava,menos Juan... Via o sol se despedir...Entardecia em Punta Ballena. O entardecer de lá era o mais belo que já havia visto, deixava todos estarrecidos com a beleza daquele céu azul, que parecia pegar fogo... Aquela pintura viva transmitia um sentimento de paz interior.
Sentada em uma "terraza" contemplava o mar,olhava o horizonte, esperava Juan chegar...Será que viria? Tantos anos se passaram...
Não tinha pressa,se não fosse naquele dia ,seria no próximo ou depois quem sabe... Tinha todo tempo do mundo pra aguardar...



- Postado por: Maryam às 19h42
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CAPITULO 25

Era manhã do dia 6 de Janeiro,Juan não havia chegado. Após o desjejum me sentei no hall de entrada para ler os jornais. Havia um movimento diferente no hotel, um entra e sai de pessoas.Pensei que poderia ser devido ao Dia de Reis, que para eles era o dia da troca de presentes, o costume herdado de seus colonizadores espanhóis era presentear no Dia de Reis.
Perguntei a um funcionário, que me respondeu que um dos salões havia sido alugado para uma festa. Então vi uma van estacionando e arranjos de flores sendo entregues.Fiquei olhando a van, pois me lembrava da reforma do meu jardim, porém não reparei se havia ou não alguém ao volante.Naquele momento ouvi o ruido de um helicóptero sobrevoando o hotel e pousando. Para minha surpresa era Juan! O tão sonhado dia havia chegado! Corri a seu encontro e nos abraçamos em meio a muitos sorrisos. Caminhamos de mãos dadas pela praia e nos sentamos para conversar.
Sentia naquele momento alegria e desapontamento.Os olhos e o sorriso eram os mesmos, porém aquele homem que estava a meu lado, não era o "meu" Juan. Meu Juan estava tão perto e ao mesmo tempo tão distante...Havia se perdido há muitos anos atrás! Aquele não era mais o menino simples de pés descalsos que comigo brincava! Era um homem poderoso, ocupado, preocupado com a política...Fomos então para o restaurante de Casapueblo almoçar.Durante o almoço Juan acariciava minhas mãos, e mesmo tentando disfarçar, ele notou um ar de tristeza em meu olhar.Almoçava com um desconhecido! Estava tão perto e não tinha mais nada a dizer... Após o almoço, Juan me pediu desculpas. Tinha que ir embora aquele mesmo dia, pois havia surgido um compromisso político, porém  voltaria em dois dias, se eu pudesse esperar...Respondi prontamente, que havia esperado trinta anos, e infelizmente não poderia esperar mais dois dias. Descobri que o que levava dentro de mim não era amor,e sim ilusão,algo inacabado...que finalmente conseguia colocar um ponto final!
Após o almoço nos despedimos na porta de Casapueblo, ele beijou minhas mãos e eu dei um beijo em sua face, dizendo Adeus! E a mesma van estacionava...


CAPITULO 26

Uma tranquilidade me invadia o coração, de maneira que me trazia um bem-estar. O alivio era tanto, que me deixava em grande satisfação...O passado que me atormentava algumas vezes, não era mais presente.  Me sentei numa pedra em frente ao hotel. A van ainda estava estacionada. E alguém que ali estava, se perguntava: "Quem é esta mulher sentada sobre as pedras,olhando para o infinito...que olhar distraído, que rosto bonito, que incerteza que dá!  Pensa em alguém? Ou apenas está a recordar...?"
Fui para o quarto relaxar e me aprontar pra chegada do Pôr-do-Sol, o mais belo do mundo! Na manhã seguinte, me mudaria pra nossa casa, agora reformada, que já deveria estar em ordem pra me receber.
 Pretendia ficar...,sem pressa pra voltar ao Brasil. Queria uma nova vida, curtir mais a beleza da natureza. Quem sabe ficasse por ali para sempre...Ou pelo menos, mais um mês deveria ficar,esperando a chegada de meus pais.
A tarde começava a findar... Me arrumei e desci. Senti vontade de caminhar um pouco... e ao sair de Casapueblo, vi um homem de pouco menos de 40 anos, correndo em minha direção com um buque de flores vermelhas. Achei engraçado e sorri, pois o desconhecido sorria para mim. Então, me entregou as flores dizendo que eram para mim. Fiquei intrigada, ele era um desconhecido! E o desconhecido sorrindo, me disse que já me conhecia... ele havia me observado de dentro da van...

CAPITULO 27

Meio desconcertada,mas achando a situação engraçada aceitei as flores daquele desconhecido,que me disse se chamar Júlio Santiago, um botânico, amante das flores e plantas. E também me apresentei.O não mais desconhecido, me convidou a caminhar um pouco para conversarmos. Concordei, pois planejava mesmo caminhar enquanto admirava o pôr-do-sol.
Júlio me contou que havia se mudado para lá, há uns 5 anos ,depois que havia se divorciado.Falou também a respeito de seu filho de 13 anos, que morava em Montevidéu com a mãe, e que passava alguns dias com ele nas férias. E também um dos motivos de sua mudança de cidade, era estar mais perto de seus avós que se mudaram para lá há cerca de uns 30 anos,deixando o resto da família morando na capital.
Achei bonita a atitude dele em se preocupar com os avós idosos, morando sozinhos numa cidade estranha. Ele me convidou a ir com ele, ceiar com seus avós, naquela noite de Dia de Reis.
Aceitei o convite e continuamos a conversar durante o trajeto.Contei que fazia pouco tempo que havia me separado de meu segundo marido.E ele me perguntou,já sabendo a resposta, se aquele homem com quem havia me encontrado pela manhã era meu namorado. Respondi que era um amigo de infância,apenas...E sorrindo me disse que já imaginava,pois ninguém se despediria da pessoa amada daquela maneira...
Chegamos à casa dos avós,e fui recebida com muito carinho. O casalzinho de idosos era muito simpático e me pareceu ter algo familiar.Alguns minutos depois me lembrei que eles eram o mesmo casal que havia comprado o restaurante dos pais de Juan. Muita coincidência...!
Após a ceia, Júlio me levou até o hotel e no caminho combinei com ele o paizagismo do jardim e como disse que estaria me mudando para lá na manhã seguinte ele se ofereceu para me levar do hotel até em casa, então uniria o útil ao agradável...!
Procurei deixar claro a Júlio que aceitaria a carona para casa ,mas não tinha nenhuma intenção de me envolver amorozamente com ninguém. Queria Paz, muita tranquilidade durante o tempo que passasse naquela cidade.Era só isso que precisava de Paz...!
Júlio então indagou se não havia um espaço para um amigo,em meio a esta tranquilidade toda que eu queria em minha vida. E respondi ,que um amigo, sim...só um amigo...!
Na manhã seguinte estavamos nós, eu com a ajuda de Júlio, chegando em casa, para a nova vida.
 Júlio me lembrou de algo que não havia me lembrado...,não existia algo que trouxesse mais paz e tranquilidade que as plantas.Viver no meio dasplantas era viver em paz...!

  CAPITULO 28

 Enquanto colocava algumas coisas nos lugares e me ambientava com a casa, Júlio fazia um esboço do que pretendia fazer no meu jardim. Depois me convidou a ir com ele até a chácara para ver se as plantas que ele havia escolhido eram de meu agrado, ou escolher outras que gostasse. Me convidou para  irmos almoçar, depois que escolhesse as plantas. Aceitei o convite pois não havia nada em casa, para comer...mas disse que o almoço teria que ser por minha conta. E ele sorrindo me repondeu que incluiria o almoço no projeto do jardim!
Então, aproveitei a brincadeira e perguntei se ele também poderia incluir no serviço do jardim, me acompanhar até um  mercado para que eu pudesse fazer compras para casa. Ele sempre sorrindo,disse que seria um excelente programa para depois do almoço.
Chegamos a pequena chácara onde ele residia ,cultivava as plantas e tinha um orquidário. Era em lugar simples,mas encantador...Havia algo de mágico naquele local! Tanto verde... tanta paz...Era como se estivesse num lugar bem distante! Me senti tão tranquila e feliz lá...algo inexplicável!Confesso que senti vontade de ficar ali para sempre!
O serviço no jardim começou na manhã seguinte. Logo cedo, Júlio chegou com a van e dois funcionários para cavar e adubar o terreno antes de plantar.Me interessava por cada mudinha plantada lá.Em poucos dias estava tudo pronto,como queria!
Júlio vendo meu interêsse por plantas, me perguntou se não gostaria de me distrair um pouco, plantando mudinhas no "berçário" de sua chácara. Aceitei sem hesitar!
Aquele mês foi passando e nossa amizade se consolidando, me sentia feliz como aquela menina do passado...Creio que desde os tempos que passava minhas férias brincando com Juan, eu não era tão feliz!
Num sábado, Júlio me convidou para jantar na casa dele,lá na chácara, ele iria preparar algo especial.Combinou que iria me buscar às 7 horas. E sem mesmo perceber a minha emoção, me arrumei como uma adolescente,que iria sair com um namorado pela primeira vez.
Pontualmente às 7 ele chegou,com uma linda orquídea para mim! E entramos na van ,rumo ao nosso jantar.
Ao chegarmos percebi o cuidado que ele havia tido em preparar a mesa. Me serviu um vinho, enquanto aguardava os retoques finais do nosso jantar.E sentada em uma almofada,saboreando o vinho, comecei a pensar...Eu nem mais sabia, porque eu fugia de viver e de amar!
O jantar estava perfeito,mas o melhor de tudo foi perceber o homem maravilhoso que estava à minha frente. Nós olhamos,nos fitamos, nos beijamos e finalmente nos amamos...!
 
EPÍLOGO:

 Na manhã seguinte despertei com o mais belo raio de sol já visto! Apartir daquele dia, sonho e fantasia, amor e alegria, feito em poesia, despertaram em mim...Não conseguiamos mais nos separar...
Na data prevista,meus pais chegaram e imediatamente perseberam um brilho de felicidade em meu olhar!
Ficaram felizes, pois não imaginavam, que a tristeza não mais invadia meu coração.Contei a eles que havia encontrado o verdadeiro amor,aquele que não colocava correntes, não escravisava, deixava viver e vivia ...
Após conhecerem Júlio,contei a eles que estava me mudando para a chácara de meu amor,aquele lugar mágico e encantado, para viver ao lado de uma a pessoa que estava sendo meu cumplice e me trazendo momentos felizes...!
Lá passei não só a cuidar das plantas, mas meu lado artístico voltou à tona. Passei a fazer esculturas para jardins,usando diferentes materiais,como: sucatas,vasos,argila etc. E sempre ao lado e incentivada pelo meu amor! E em pouco tempo, Júlio já tinha conseguido para mim, expor minhas obras na casa de Vilaró. Minhas obras foram todas vendidas, e encomendas passaram a surgir sempre...
Hoje sou uma artista plástica reconhecida, e vivo um grande amor com o homem da minha vida, minha alma-gêmea. Acredito que nosso amor vem de outras vidas.
Acredito também que nada que aconteceu em minha vida foi por acaso,tudo tinha o dedo de Deus! Quando eu fiquei só e triste com a morte de Flávio, Deus colocou Fred em meu caminho. A intenção de Deus era nos unir para que eu tivesse força e um companheiro para criar de meus filhos e em troca, eu desse a Fred o carinho que ele precisava num momento de abandono. Quando meus filhos já estavam criados e formados, Deus percebendo que Fred e eu não estavamos mais felizes com essa união,deu a ele a oportunidade de ser feliz novamente ao lado da mulher que tinha sido seu grande amor. E para que eu não me sentisse triste com o fato, colocou Juan de novo em meu caminho.
Mas Juan, era apenas um instrumento nas mãos de Deus, para que eu encontrasse Júlio, meu verdadeiro amor. Juan poderia ter marcado um encontro em qualquer outra cidade, sem ser em Punta. E poderia ter chegado no dia combinado, mas não chegou...Chegou exatamente no momento em que Júlio entregava as flores, para a festa no hotel, assim ele poderia me conhecer.
Então,vocês devem estar perguntando: Por que Deus não colocou Júlio em seu caminho quando os avós dele se mudaram para lá e vocês ainda eram crianças? Simples de responder...sou mais velha que Júlio 8 anos... Quando criança ou mesmo quando jovem, nunca iríamos ficar juntos, pois essa diferença de idade era muito significativa. E hoje nem percebemos que ela existe!!!
Vivemos no meio do verde,da paz ,da tranquilidade,da simplicidade e de muito amor...E acreditamos que nosso amor é e será eterno...!

FIM.

 



- Postado por: Maryam às 19h42
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Um Conto de Natal:



 "Uma Noite de Reflexão"


A sala à meia luz. A tv está ligada,mas na verdade não estava sendo assistida. Uma chuva fina era vista pela janela semi-aberta. E numa cadeira de balanço antiga, estava Helena. Aquela mulher com marcas de sofrimento , cujo tempo deixou em seu rosto, estava envolta em seus pensamentos, poderia dizer que sonhava acordada. Lembranças vinham à sua mente. Tempos distantes... quantas vezes viu sua velha mãe sentada naquela mesma cadeira, que passou a ser ocupada por ela...Mas uma diferença havia, a sala agora estava vazia!

Num canto da sala , uma mesa redonda e uma toalha vermelha rendada. Um cesto com frutas, um prato  com rabanadas, uma garrafa de vinho tinto, um peru assado rodeado de farofa e ameixas pretas indicavam que era uma noite especial.

No outro canto , próximo à tv, uma árvore de natal, cujo colorido dos pisca-piscas iluminavam aquele ambiente sombrio, cuja tristeza era apenas quebrada pelo som da televisão.

Helena algumas vezes fechava os olhos, a recordar um passado distante. Sonhava com os tempos de criança, quando ia dormir ansiosa , à espera do presente que encontraria sobre seus chinelinhos na manhã seguinte. Solidão havia,mas também alegria de receber o brinquedo e poder brincar com as meninas da vizinhança no dia seguinte.

Agora ,o tempo passou e já não brinca mais... Mas,os presentes estavam  embaixo da árvore à espera de que viessem recebê-los.

Os olhos daquela triste mulher estavam "mareados", pelas recordações de um tempo que tão rápido passou... 

Como a vida muda, pensava ela. "Será que só existe vida na juventude?" É o que perguntava à si mesma.

Mas,ela não se sente tão só, ao sentir "Preciosa", uma velha gatinha listrada, deitadinha aos seus pés. Preciosa poucas vezes miava, apenas quando sentia fome, mas como seu pratinho estava sempre cheio, raramente seu miado era ouvido. Helena apenas, sentia seu pêlo macio encostado em suas  cansadas pernas.

Helena olhava a pequena ceia sobre a mesa, mas não sentia fome. E por sua vez , Preciosa também não tocava a ração em seu prato. Se sua dona não comia, ela também, fome não sentia...

Vozes e risos eram ouvidos de casas vizinhas ou de pessoas que por perto passavam . Ouviam-se pessoas desejando "Feliz Natal", umas às outras. Mas, naquele momento, Helena não sabia bem o significado daquela saudação: "Feliz......Natal......!"  Parecia ser algo tão remoto! Saudades de uma casa cheia...!

Mais uma vez a solitária senhora, não tão idosa assim, mas sofrida pelas peripécias que a vida lhe proporcionou , fechou os olhos e acabou adormecendo , por alguns muitos minutos...

Até que subitamente, foi despertada pelo ruído da porta que se abria. E surgiu uma linda menina , de aproximadamente cinco anos, correndo em sua direção , gritando: - Vovó,vovó!!! Cheguei!!! Olha seu presente aqui!!!

 Agora,sim! Era "Noite de Natal"!

 

(texto by- Mary.am)



- Postado por: Maryam às 08h59
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"Círculo da Vida"

Neste círculo da vida,nascer,crescer,viver e morrer,não há como fugir!
Driblar a vida pra não ver as marcar do tempo estampadas no rosto.
Num rosto cansado ,abatido ,com escuras olheiras ,mas que por vezes esboça um sorriso de alegria.
Mas , alegria de que ? - Eu pergunto.
E a resposta não vem! Coisas boas existem nessa vida ,é claro! Mas ,pra quem tem a alma triste,tudo é um pouco nebuloso.Como aqueles dias que não sabemos se irá chover ou abrir o sol...
Há momentos que as nuvens se abrem deixando os raios de sol alegrar  parte do dia,mas horas ou mesmo minutos depois ,lá se foi o Senhor Sol pra trás das nuvens,deixando o cinza tomar conta da nossa vida.
Sei que não podemos viver sem dias nublados,anunciando a chegada de uma chuva,que por muitos é esperada e que alegra o solo e a vegetação...
Mas não é deste dia cinzento que falo! É do dia cinzento,em que o sol brilha muito,para todos ,menos para aqueles que não conseguem vê-lo!
Não conseguem , pois a alma está ficando cega...Cega..., pois vive num cômodo escuro ,que mesmo com as janelas abertas,os raios de sol não conseguem iluminá-lo!
E penso ,o que virá amanhã ? Nada... Um "Nada", igual ao de hoje; um "Nada" igual ao de sempre... Mas,é melhor um "Nada" do que um recomeço, do que ter que enfrentar a vida ,dando os primeiros passos, com mêdo de cair,com insegurança, sem saber o que nos espera do outro lado ,quando a porta se abrir...
E o mêdo chega... E as gaivotas voam...

01/10/2010 (by MARY.AM)



- Postado por: Maryam às 04h44
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"Quisera"

Quisera poder escolher entre nascer ou morrer,

entre viver ou não viver,

entre sonhar ou acordar...

Poder contar as estrelas do céu,sem ter pressa de acabar,

porque o dia vai clarear e tudo vai recomeçar...!

 

Um círculo vicioso são os dias,numa batalha sem fim...

Lutar pra sobreviver...estudar para ser alguém...

Ganhar dinheiro pra ser respeitado e pra ser invejado!

Pra que tudo isso???

Viver seguindo regras não é viver ,é estar preso,

acorrentado com algemas e elos  invísíveis,

mas que são mais fortes que aço ou titânium...

 

Ah, Liberdade!!! Como custei à te encontrar!!!

E não quero mais te perder!!! Não, nunca!!!

Às vezes fojes da minha vista e me deixa desnorteada...

Porém sei que é por pouco tempo e logo logo  vais voltar!

 

Quisera poder fazer o tempo parar,

o mundo deixar de rodar, e tudo assim ficar...

Ah! Como eu quizera...não partir, pra não ter que voltar!

E tudo de novo, nesta masmorra, como criança recomeçar...

 

Ah! Quisera... meu sonho se concretizar...

Minha missão cumprida  e nunca mais retornar...

E rolando na relva , poder estar , a sorrir e cantar...

Quisera, como quisera...poder só amar...

 

MARY.AM



- Postado por: Maryam às 04h25
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Mãe Solidão

 

Solidão ligada à Mãe

Mãe num asilo abandonada

Mãe numa bela casa 

Filhos distantes...

Mãe de filhos pertos

E tão distantes...

Filhos são para o mundo...

Mas, Mãe é para os filhos!

Mãe que se sacrifica

Filhos que não enchergam

Netos que não se lembram

De tanto carinho que receberam!

Famílias distantes do amor

Irmãos são meros conhecidos

Amor perdido neste amargor...

Saudades dos almoços da Nona

Que existem só em lembranças...

A Velha Nona não é mais lembrada

E a atual meio descartada...

Mãe com filhos,

Mas, sem os filhos...

Almoço de Dia das Mães...

Rss... este já não existe

Cada um no seu canto

Cada um com seu cada um...

E eu com o meu!

Domingo das Mães...

Dia de Solidão!

 

(by Maryam)



- Postado por: Maryam às 13h50
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 "Mulher-Peixe"

 " Quisera ser um peixe pra no teu límpido aquário mergulhar, fazer borbulhas de amor pra te encontrar, passar a noite em claro dentro de ti, um peixe para enfeitar de coral tua cintura, fazer silhuetas de amor à luz da lua, saciar de amor esta loucura..." é isso que algumas querem ouvir!!!


Ahh! se fosse um peixe...!!! Mas um peixe, Eu sou...um "peixe- mulher" , uma sereia, talvez, que aos homens encanta com seu canto ensurdecedor! Sou Sim!... uma "Mulher-Peixe"! Ser mulher-peixe é difícil, pois viver na terra é como ser "um peixe fora d'água"... é ser diferente, não nos  identificamos com as pessoas.
Às vezes penso que vou enlouquecer se não voltar para o mar ,seduzir os homens
,que caem em minha rede invisível  encantamento! Eles não conseguem resistir aos encantos de uma "Mulher-Peixe" ! Todas nós somos assim! Se pensam que somos poucas, estão errados! Existem inúmeras Mulheres-Peixes por aí, escondidas , disfarçadas, pra que ninguém descubra os segredos que guardamos!
Não pense que a Mulher-Peixe será vista numa praia usando um biquini
"fio-dental ou desfilando semi-nua numa escola de samba no carnaval .
Nós somos sutís, discretas, não podemos pôr um segredo guardado a milênios,
por causa de uma fútil exibição! Porém, quando nos entregamos aos prazeres da vida de sereia,nos sentimos livres,felizes,belas e encantadoras!
Nós, Mulheres-Peixes, lembramos as ondinas, sedutoras, misteriosas, somos
capaz de mostrar mil facetas de nossa personalidade, cheia de charme e gentileza.
Muitas vezes,lembramos uma típica donzela de contos de fadas.Somos meigas e
desprotegidas, aguardando que um príncipe venha nos socorrer e libertar.
Nos mostramos indefesas, à superfície das ondas e ao mínimo susto
mergulhamos nas profundezas do mar para nos proteger.
 Vamos até ao local mais profundo e nos deliciamos com toda aquela beleza  que
os humanos não costumam ver! Nos refazemos ,captamos energias  e ficamos em forma pra voltar à tona e esperar uma pequena embarcação passar  e um belo homem capturar e pro fundo do mar poder levar!
Fazer amor no fundo do mar ,é melhor que sonhar... é extravasar, e numa
"deusa" se tornar... Infelizmente, depois, aquele belo homem, temos que abandonar , pra outro capturar...até a deusa-interior se saciar e pra terra poder voltar,tornar a se disfarçar e uma vida "normal" levar... até o dia que de novo não suportar, e pro mar ter que voltar... , voltar...

Maryam



- Postado por: Maryam às 00h43
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Vinda de uma estrêla...

Outro dia me perguntaram se acreditava em vida fora da terra. Apenas respondi que sim...Mas por trás deste "sim" existe muito mais... Nasci numa Estrêla chamada Amuanhi!
Quando ainda pequena fui deixada na Terra para que um casal me adotasse e me protegesse. Corria perigo se continuasse em minha Estrêla, meus pais foram mortos por seres de uma estrêla de outra galáxia,que queriam o "Poder".
Fui acolhida ,mas ainda bebê tinha lembranças de minha Estrêla. À noite perdia sono e de meu berço, ficava a fitar o céu a procura da estrêla que tinha nascido. Isso acontecia constantemente!
Comecei a crescer ,era uma menininha de pele alva como a luz da lua e olhos de um azul escuro,como céu numa noite estrelada.
Me achava diferente das outras crianças,algumas vezes me sentia muito triste, saudades dum lugar onde realmente nunca vivi...era um peixinho fora d'água... recordava de lindos campos floridos ,com pequenas flores coloridas , por onde minha mãe caminhava, me carregando nos braços e cantarolando! Crianças felizes brincavam a nossa volta! Tudo tão belo que já cheguei a pensar que fosse um sonho!
Um dia ,a felicidade acabou... um terrível estrondo ecoou ,o céu escuresceu, e me lembro de minha mãe me tirar do berço , me entregar a um homem muito alto e pedir que me protegesse, que partisse dalí, pra não ter o mesmo fim , que ela teria...
E aqui estou..., fora do meu mundo,viva ,alegre e triste! Tenho que fingir pra todos que sou uma pessoa comum, nascida nesta terra,que não é minha,mas passou a ser!
Cresci tendo crianças amigas,mas percebia que era dirente delas,eu pensava como uma adulta e analisava a reação das outras.
Não gostava de ir à festas,tinha medo de pessoas,creio que talvez um aglomerado de pessoas me lembrasse do dia  que tive de ser levada. Sempre que voltava de uma festa , mesmo tendo me divertido com as outras amiguinhas, chorava muito, sentia uma tristeza profunda,tão grande que passava a noite em claro,a chorar...!
Cresci,como se fosse uma adolescente qualquer, mas me destacava, as pessoas notavam algo de diferente em mim. Muitas vezes atraia os olhares dos rapazes, que contemplavam aquela beleza ímpar!
Tinha que ser como todas as moças daqui e um dia me casei. Mas sei que de onde vim o casamento era diferente,as pessoas viviam o amor  e eram felizes .
Se estivesse em minha estrêla, seria uma princesa e para mim haveria um grande número de príncipes para que eu escolhesse o mais corajoso e mais belo para me casar, mas se  ele não me desse felicidade , o casamento termiva, sem brigas, nem tristezas, pois ninguém é dono de ninguém...! E eu escolheria outro Amor que me desse alegria de viver!
Aqui, hoje é mais ou menos assim , mas existe muito briga , dor e aborrecimento em uma separação!
Sofri muito e ainda sofro. Sou feliz, sim! Hoje sou! Mas, também sou triste, muito triste! Tenho um grande amor , minha alma gêmea, mas meu amado é daquí, e não tem a mínima idéia de que vim de muito longe! Sinto nostalgia...! Um aperto no peito, que me acompanha, dói , dói muito...
Disseram que tenho depressão...será depressão ou saudade de um mundo onde não vivi e deveria ter vivido?
Queria ser como as pessoas daqui, com felicidade dentro do peito, alegria no olhar...!
 Mas, pra despistar a amargura, tenho sempre um lindo sorriso . Ele vem a todo momento ocultando uma grande tristeza, que se esconde atrás de meu olhar solitário, de um profundo  azul noturno...

Maryam



- Postado por: Maryam às 21h30
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Olá Amigos!

Hoje estou de volta com o "VIDAS DA VIDA"

 com uma estória real,

O Natal da minha Infância!

 Natal Feliz,e eu não sabia....!

Sempre ouço algumas pessoas que dizem não gostar do Natal. Acham uma data triste,se lembram dos entes queridos que já se foram,ou mesmo acham apenas uma data comercial.
Eu sempre respondi as pessoas que gostava de Natal, e  ainda gosto.
 É tão bom ligar a TV e ver filmes sobre o Natal,um Natal Mágico que não vemos
por aqui, casas totalmente iluminadas,árvores enormes,a neve caindo...!!!
Ah! Fazer Bonecos de Neve!!! que maravilha!!! E o Bom Velhinho com suas vestes
vermelhas,seu trenó e suas renas...É tudo um sonho...!!!


Quando criança meu Natal era muito solitário.Eu não tinha irmãos,de certa
forma gostaria de ter um Natal com a Casa cheia.
Meu pai  era quem gostava de armar a árvore e também um presépio.Ele sempre gostou de enfeitar a casa para o Natal! Minha mãe  não se preocupava com enfeites de natal! O Presépio ele fazia questão que tivesse! Eu achava estranho pois nas outrs casas não havia presépio! Só viamos nas igrejas! Gostava de admirar aqueles bem grandes,com trenzinhos passando por pontes,uma verdadeira cidade-presépio!!!

Mas ,nosso presépio com o tempo foram quebrando peças e ficando a cada ano menor...
Um dia , eu deveria ter uns 10 anos,vimos na TV, um presépio numa "Moringa" e sugeri meu pai, e ele logo tratou de fazer um igual. E ficou bem bonito,tinha até uma luz azul iluminando o Menino Jesus.
Todo dia 24, minha mãe arrumava uma ceia tradicional européia. Fazia rabanadas,Arroz Doce,cozinhava castanhas,comprava Panetone e todo o tipo de frutas secas natalinas, como: passas,figos,tâmaras,frutas cristalizadas, nozes,avelãs e etc . E tb fazia bolinhos de bacalhau.


Não havia um jantar ,na Ceia de Natal, meu Pai geralmente estava trabalhando e só chegava perto de meia-noite,quando eu já estava dormindo.
Geralmente na véspera de Natal ,minha Tia,com meu Tio e Primos,que eram bem mais velhos que eu, passavam lá em casa no finalzinho da tarde, para nos levar uma lembrança.Eles vinham num Aero_Willis Azul escuro. Se eles não fossem nos visitar, o dia 24 seria bem tristonho para mim!

 Ficavam até umas 8 horas da noite, aí iam para a casa de uma Tia-Avó, onde ficavam até quase umas 11hs, depois de lá iam direto assistir a Missa do Galo, se não me engano, no Convento de Santo Antônio.
Na manhã seguinte, eu sempre acordava com meu Presente nos pés da cama. Era sempre algo que estava
querendo e ficava feliz. 


Logo pela manhã, algumas amiguinhas vizinhas me chamavam pra mostrarmos os nossos presentes, umas pras outras e brincavamos um pouco.Havia sempre alguma menina que dizia que a boneca dela era a mais bonita , mas que na realidade não era...E, eu preferia ficar calada pra não desapontar minha amiguinha...!

 


E então,no dia 25, tinhamos nosso Almôço de Natal, mas só os três: 

  Meu Pai,Minha Mãe e Eu ! 

 

Uma Família...
Como num Presépio!

 

 Assim era o Natal da minha Infância!


FELIZ NATAL!

  



- Postado por: Maryam às 19h47
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CRIANÇAS CURIOSAS

Crianças curiosas narra a curiosidade das crianças que

 viviam numa pequena ilha ,ao sul da Irlanda.


É um CONTO em 3 Partes:

 "A Rosa Verde"; "Halloween na Mansão Misteriosa";

e "Crianças Sempre Curiosas".


As duas primeiras partes até podem ser lidas separadamente,

 porém a terceira parte é a "conclusão" e para ter sentido o

leitor deverá ter lido as duas partes anteriores.


Espero que gostem!


MARY.AM

PARTE 1

A GREEN ROSE

Uma pequena Ilha ao Sul da Irlanda chamada Caroline Montgomery Island ,vivia um povo muito trabalhador e hospitaleiro. A mais bela casa da região ficava no alto de uma colina. Era uma mansão antiga,mas muito bem cuidada. O povo não sabia ao certo quem vivia lá, apenas viam um Jardineiro e sua Esposa que trabalhavam como caseiros , mas que só iam no vilarejo para fazer compras e eram de muito poucas palavras.
Uns diziam que a Mansão era de um velho militar que esteve na guerra,e vivia em cadeira de rodas. Outros já comentavam que era uma senhora muito doente ,que vivia acamada.
Algumas crianças da ilha ,curiosas como quase todas são ,às vezes escapuliam para espreitar a casa,porém nada descobriam.
Certo dia um menino chamado Lucian foi até alto da colina,bisbilhotar ,como costumava fazer nas horas vagas.
Era uma manhã de um belo dia ensolarado. Lucian ao chegar na frente da casa olhou como que atraído para o jardim, e para sua surpresa se deparou com uma bela ROSA VERDE, única, linda e solitária dentre outras flores!
Ficou espantado, pois nunca soubera da existência de uma ROSA VERDE!!! Alguns minutos depois viu o jardineiro com muito cuidado,regando a linda flor!
O menino não se conteve ,voltou para a vila e contou para todos os seus amigos sobre a Mágica Rosa Verde,que havia no jardim da mansão!
A notícia se espalhou e todos da cidade queriam ver a flor, que já diziam ser milagrosa. Uma romaria se formou rumo ao alto colina  para ver a Milagrosa Flor no Jardim da Mansão.
 Entardecia e ao ver a pequena multidão do lado de fora do jardim,olhando através das grades, o Jardineiro e sua Esposa tentaram  dispersar as pessoas, mas todos queriam ver aquela LINDA ROSA VERDE.
O Jardineiro disse a todos que aquela era uma rosa como todas as outras, que não havia nada de diferente nela, porém todos discordavam pois ROSA VERDE , nunca ninguém havia visto!
Já anoitecia, e as pessoas voltaram para suas casas com a intensão de voltar na manhã seguinte para contemplarem a Rosa Verde!
Bem cedo,um grupo de pessoas já  se aproximava das grades do jardim da mansão e para desapontamento geral a ROSA VERDE havia morrido! Viram apenas uma Rosa Sêca e sem Côr, dentre tantas outras belas flores que eles nem haviam reparado no dia anterior.
Perguntaram ao Jardineiro o que havia acontecido com a Rosa Verde. E o Jardineiro não soube dizer, nem sabia da existência de uma Rosa Verde naquele jardim! E respondeu: "ROSAS VERDES não existem!!!"
Foi um burburinho geral,alguns chegaram a dizer que tinham visto sim e que a Rosa era Mágica, outros diziam ser Milagrosa e houve até quem dissesse que o Jardineiro havia tingido a Rosa de Verde ,para chamar atenção do povo!
 Algumas senhoras juravam ter visto,a esposa do jardineiro comprando anilina comestível verde,no armazém da cidade,alguns dias antes!E os acusavam de ter inventado esta Rosa Verde para enganar o povo.
Sómente a professora da cidade defendeu o casal, justificando que os pobres empregados da mansão nem gostavam de ver pessoas próximo a casa, por que fariam isso?!
Naquela mesma tarde,o casal chegou ao vilarejo  numa carroça como sempre faziam. Mas desta vez ,traziam um embrulho relativamente grande,que carregavam com cuidado.  Se dirigiram à escola que ficava nos fundos da igreja e ao serem recebidos pelo pároco e a professora, entregaram  o misterioso embrulho, dizendo que era para ser distribuido entre as crianças da escola na manhã seguinte.
 Ao abrirem o embrulho se depararam com lindos e saborosos Biscoitos em forma de Trevo, todos verdes!!! No dia seguinte seria Dia de Saint Patrick, tão festejado pelos irlandeses,cujo simbolo é um TREVO VERDE! Motivo que levou a senhora a comprar a anilina verde!
 E a ROSA VERDE??? Ela existiu mesmo ou foi fantasia da imaginação de Lucian ,que contaminou à todos ?
Alguns acretitam que havia a tal ROSA , poucos como a professora e o pároco achavam que a imaginação fertil de um menino,contaminou a todos,devido ao mistério que a casa representava para a população do lugar!
 A mente humana é muito fertil...!!!

E você o que acha? Havia mesmo uma ROSA VERDE ou era fruto da imaginação de Lucian?

Conto de autoria de: MARY.AM



- Postado por: Maryam às 15h00
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PARTE 2

 HALLOWEEN NA  MANSÃO MISTERIOSA

Na misteriosa Mansão do alto colina em Montgomery Island, tudo está em plena Paz, mas as crianças do Vilarejo continuam curiosas a respeito de quem seria o dono da mansão.
Halloween está se aproximando e o menino Lucian, sempre muito cuirioso , na hora do recreio das aulas,combina com seus amigos de irem até a Mansão , pedir doces e ao mesmo tempo, bisbilhotar . Aquela seria uma ótima oportunidade de espreitar a misteriosa casa, sem causar desconfiança nos caseiros.
A professora Alison se aproxima e  pede que todos voltem à sala de aula, pois o recreio havia terminado. Porém, Lucian tinha uma idéia fixa, desvendar o mistério em torno da Mansão, pois ainda acreditava que tinha visto a Rosa Verde no Jardim.
Na tarde do dia 31 de outubro,as crianças do Vilarejo estavam agitadas,para irem de casa em casa , a pegar doces, dizendo "Travessura ou Gostosura!"
Lucian e alguns amiguinhos de classe queriam por o plano em prática. Iriam à mansão pedir doces e "bisbilhotar"! Quem sabe , não vissem o velhinho  na cadeira de rodas ou a tal senhora doente, numa cadeira de balanço , próximo à lareira.
Colocaram suas fantasias e subiram a colina com o intuito de desvendar o mistério. Pela primeira vez , perceberam que a vista de lá de cima era maravilhosa, tinham uma bela visão do mar e também do vilarejo.
Após uns 30 minutos de caminhada chegaram à mansão ,e pra surpresa geral o portão  principal estava totalmente aberto,coisa que não acontecia.
Já anoitecia..., com um pouco de receio, resolveram entrar no jardim, e a para surpresa geral , a porta da sala também estava aberta...!
As luzes estavam apagadas,mas a noite ainda não havia chegado totalmente,então mesmo com medo resolveram entrar,como sempre incentivados por Lucian.
Para surpresa geral a sala estava toda enfeitada com lanternas feitas com abóboras, e a mesa tinha muitos doces,como se os esperassem por lá!

Mas,ninguém na sala !!! Lucian gritou , para que alguém aparecesse: "Gostosura ou Travessura!"... O Jardineiro e a Esposa surgiram , como se tivessem vindo do nada...e disseram que estavam aguardando por eles!
Lucian perguntou: E o dono da casa ,onde está?
E o Casal pediu que as Crianças aguardassem, pois o próprio proprietário fazia questão de distribuir as delícias, pessoalmente! A sala ficava mais escura pois a noite chegava, e o Casal não acendia as luzes, estavam apenas com a iluminação vinda das lanternas de abóboras. As crianças se olhavam entre si, com um pouco de medo, pra não dizer muito medo...
Derrepente o barulho de uma porta se abrindo e o vulto de uma mulher vestida de bruxa surgiu! A pouca claridade não permitia que vissem o rosto da mulher, mas parecia não ser idosa!
E a mulher saldou às crianças dizendo: "Benvindos à minha casa,meninos!"
Aquela voz era familiar aos ouvidos dos pequenos...! Então as luzes se acenderam e para a surpresa geral , era a Senhorita Alison, a professora!!!!


Ao mesmo tempo todos perguntaram: "Professora, O que a senhora faz aqui?!!!"
Sorrindo ela respondeu: "Esta é minha casa, vocês não queriam tanto me conhecer?!!!
Então, a jovem  professora explicou que aquela Mansão era "Casa de Veraneio"  de seus avós, mas que últimamente eles se sentiam cansados para irem para lá.  Por isso, presentearam a Mansão pra ela , sua neta. E a cerca de um ano atrás, ela indo passar uns dias na casa, que não ia desde que era criança, soube pelo pároco que a professora da escola iria deixar a escola e não havia nenhuma outra professora no local. Então ela decidiu substituir a antiga professora!
Ela durante a semana ficava na casa ao lado da escola, por ser mais prático, mas nos fins de semana passava na bela mansão da colina,se deliciando com os Kitutes e as gentilesas do Casal que cuidava da casae que a conheceram ainda menina! A Mansão de "misteriosa" não tinha nada!!!!
E no final todos riram muito e saborearam as gostosuras preparadas pela cozinheira da casa!!!

Foi o melhor Halloween que aquelas crianças já tiveram!!!

A imaginação é mesmo fértil...!!! 

 

(Conto escrito por: MARY.AM)

 (em Outubro de 2008)



- Postado por: Maryam às 14h45
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